quarta-feira, 22 de julho de 2015

Tempestade

Folhas ao vento
 cheiro de terra seca 
céu sem cor
Janelas vridraças e cortinas
se debatiam
era o vento que gemia
expressando sua dor. 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Houve um tempo...

Em que eu via estrelas na escuridão. Elas brilhavam tanto que iluminavam meu mundo tao opaco.
Houve um tempo em que eu era meu próprio espelho. Eu sabia exatamente para onde ir, Eu mesma traçava o meu caminho, não precisa de bússola, nem de conselhos. Eu sabia como chegar seguindo o meu coração. Coração jovem, impulsivo, pulsando vida, impulsionando sonhos. E sonhos era tudo que eu tinha.
Já faz tanto tempo, até ontem eu me lembro, eu era só uma menina...
Mas o espelho me disse, que a minha cara feia não é só tristeza, mas também velhice.

Houve um tempo em que eu acreditei em mentiras e duvidei da verdade. Porque a verdade às vezes é tão dura, que dura uma eternidade.
Houve um tempo em que eu perdoei traições, esperando que o amanhã me trouxesse as razões.
Houve um tempo em que minha coragem era tão grande, que intimidava o medo.
E eu achava que apenas o desejo fosse um plano perfeito.
Houve um tempo em que realmente acreditei que eu podia ser o que quisesse, e não o que me tornei. Mas será que a culpa é minha, ou perder tornou-se lei?

Houve um tempo em que todos acreditavam em mim, sem que eu dissesse uma palavra. Era um tempo de certezas, mas caí em minhas armadilhas, e hoje não consigo sequer convencer a mim mesma. Eu era a promessa, de uma coisa certa. Mas surpreendentemente eu falhei. Eu perdi o comando, e já nem sei mais os santos para quais eu rezei.
Durante toda minha vida eu pensei estar caminhando em direção à terra prometida. Era tanta certeza, que de olhos fechados, eu perdi uma vida. O que mais dói não é perder-se. É saber que houve um tempo, E esse tempo passou sem que ao menos eu vivesse.

Não posso aceitar tanto tempo em vão. Mas também não posso recuperar o tempo. E a única coisa que me resta saber é, ainda há solução, ou o silêncio é a resposta que levamos como um não. Eu já não sou mais criança, já não sou tão forte, já não conto com a sorte, só espero compaixão.
Houve um tempo perdido, de portas fechadas e becos sem saída. Um tempo de tortura. As horas se tornaram dias, os dias se tornaram anos, e os anos se tornaram nada, que eu conquistei com bravura, E de tanto esperar, todo o meu talento, tornou-se apenas vento, desfazendo-se no ar.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013




Você passa a maior parte do tempo tentando entender, porque você nunca consegue entender
Justamente o que você está tentando.
Passe mais tempo vivendo...

Você passa a maior parte do tempo procurando pelo amor que estará à procura do seu amor
você ama guardar o seu amor para o amor
Passe mais tempo amando...

Você passa a metade do tempo falando de si mesmo, e como isso é importante para o seu ego
mas do que para qualquer outra pessoa.
Passe mais tempo ouvindo...

Você passa a maior parte do tempo julgando tudo como se até soubesse de alguma coisa
há mais nas coisas do que somente uma coisa.
Passe mais tempo respeitando...

Você passa a maior parte do tempo preocupado com o que irão dizer sobre as suas maneiras bobas
e isso não é bobo, afinal de contas?
Passe mais tempo fluindo....

Você passa a maior parte do tempo
reclamando, blefando, odiando todos os tempos
Sangrando...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

"É preciso estar sempre embriagado. Eis aí tudo: É a única questão. Para não sentirdes o horrível fardo do tempo que rompe os vossos ombros e vos inclina para o chão, é preciso embriagar-vos sem trégua.

Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira. Mas embriagai-vos.

E se, alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre a grama verde de um precipício, na solidão morna do vosso quarto, vós acordardes, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que foge, a tudo que geme, a tudo que anda, a tudo que canta, a tudo que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio, responder-vos-ão:  É hora de embriagar-vos! Para não serdes os escravos martirizados do tempo, embriagai-vos:  Embriagai-vos sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira."

Charles Baudelaire, Petits poémes en prose, 1869.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Calendários...

Não é preciso marcar o tempo, basta abandoná-lo. De que adianta saber que dia é hoje? As horas sim, são importantes. O dia é bem dividido, cada hora uma coisa certa. Melhor viver um dia só, sem fim. O que tiver que acontecer, é dentro dele.
Cada momento é uma antecedência para nós. Uma espera que se substitui infinitamente. Vivemos na ansiedade pela ocasião que haveria de chegar.
Assim, nossa vida se distende como um elástico, esticando-se ao máximo, atingindo o estado de tensão, inquietação. Quando o dia se acaba, a esperança nasce outra vez dentro de nós. Aguardamos os instantes que fariam o dia seguinte repleto-vazio. Instantes despidos daquilo que nos falta. Algo que necessitamos, mas não vamos buscar, ficamos na expectativa que aconteça. A falta não está dentro do tempo, mas no vazio real. Preenchemos nossas vidas com objetos, até que a nossa casa vire um bazar de artigos únicos. Vasos, porta-retratos, criados-mudos, bibelôs, cinzeiros, tapetes, xícaras, roupas, relógios parados, paredes com quadros, e calendários, dois ou três por todos os lados.
Agora me dou conta: Calendários são substituídos. E os nosso dias ficam guardados, armazenados. Neles nenhuma marca. Nem sequer rasura. Conjunto, soma de todos os nossos instantes. E eu fico olhando para esses calendários, são dias jogados fora, ou números intocados?

Texto do livro "Não Verás País Nenhum".

Adaptação e interpretação, Giovanna.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O mundo dentro de mim...


Eu sempre quis conhecer o mundo, ser do mundo, estar no mundo.
Eu sempre sonhei com o mundo lá fora. Mesmo sabendo que havia um mundo dentro de mim.
Eu sempre quis abraçar o mundo, sempre acreditei que ele coubesse em um abraço.
Eu achava que o meu mundo estava em minhas mãos...
Hoje eu vejo que muita coisa ficou...que não alcanço mais...
É como se esperasse o vazio...
Grávida de um sonho...que nunca vai nascer.
Então eu abraço a mim mesma, e sinto que ainda existe um mundo de possibilidades.

Giovanna.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Noite...

A Noite é mesmo um estado de espírito...E como é bonito ver a luz na escuridão.
É paisagem enigmática. Poesia que se ver. Saudade na janela.
Contemplamos um verdadeiro contraste. Silêncio e barulho, luzes e escuridão. Pessoas dormindo, pessoas dançando. Pessoas se amando, nem sempre solidão.
Noite, é a verdade do dia, que exalta o tormento da vida vazia, mas sempre é a espera de novo dia. 

A noite traz a saudade, a nostalgia, a liberdade, e muitas vezes companhia.
Para muitos a noite é uma criança brincando sem ser pecado. Para outros, a velhice, só descanso, o contrário.
A noite tem seus mistérios, lugar secreto, refúgio dos apaixonados. Existe um clima no ar, o cheiro dos cheiros misturados. O gosto do pecado. A intensidade que desperta a libido, sussurros, gemidos. Tudo é entrega. Entrega-se ao sono, as paixões, ao medo, ao prazer, ao abandono.
Estou entregue...

Boa noite!


Giovanna.