Houve um tempo...
Em que eu via estrelas na escuridão. Elas brilhavam tanto que iluminavam meu mundo tao opaco.
Houve um tempo em que eu era meu próprio espelho. Eu sabia exatamente para onde ir, Eu mesma traçava o meu caminho, não precisa de bússola, nem de conselhos. Eu sabia como chegar seguindo o meu coração. Coração jovem, impulsivo, pulsando vida, impulsionando sonhos. E sonhos era tudo que eu tinha.
Já faz tanto tempo, até ontem eu me lembro, eu era só uma menina...
Mas o espelho me disse, que a minha cara feia não é só tristeza, mas também velhice.
Houve um tempo em que eu acreditei em mentiras e duvidei da verdade. Porque a verdade às vezes é tão dura, que dura uma eternidade.
Houve um tempo em que eu perdoei traições, esperando que o amanhã me trouxesse as razões.
Houve um tempo em que minha coragem era tão grande, que intimidava o medo.
E eu achava que apenas o desejo fosse um plano perfeito.
Houve um tempo em que realmente acreditei que eu podia ser o que quisesse, e não o que me tornei. Mas será que a culpa é minha, ou perder tornou-se lei?
Houve um tempo em que todos acreditavam em mim, sem que eu dissesse uma palavra. Era um tempo de certezas, mas caí em minhas armadilhas, e hoje não consigo sequer convencer a mim mesma. Eu era a promessa, de uma coisa certa. Mas surpreendentemente eu falhei. Eu perdi o comando, e já nem sei mais os santos para quais eu rezei.
Durante toda minha vida eu pensei estar caminhando em direção à terra prometida. Era tanta certeza, que de olhos fechados, eu perdi uma vida. O que mais dói não é perder-se. É saber que houve um tempo, E esse tempo passou sem que ao menos eu vivesse.
Não posso aceitar tanto tempo em vão. Mas também não posso recuperar o tempo. E a única coisa que me resta saber é, ainda há solução, ou o silêncio é a resposta que levamos como um não. Eu já não sou mais criança, já não sou tão forte, já não conto com a sorte, só espero compaixão.
Houve um tempo perdido, de portas fechadas e becos sem saída. Um tempo de tortura. As horas se tornaram dias, os dias se tornaram anos, e os anos se tornaram nada, que eu conquistei com bravura, E de tanto esperar, todo o meu talento, tornou-se apenas vento, desfazendo-se no ar.