Eu andei pela rua no outono ao cair da noite, estava esfriando, o vento varria as flores amarelas, e me soprava um novo sentido, era como lavar o rosto. Eu caminhava como se flutuasse ao som de hallelujah...Aquele tapete amarelo de flores, tudo muito poético, e tão intrigante. Achei bonito caminhar sobre as flores ao som do vento gelado que me fazia companhia. Fiquei observando as folhas secas aos poucos se soltando dos galhos como se estivessem sem força de lutar contra o vento. Se passou um filme da minha vida em minha mente. Eu comecei a pensar nas coisas que me movem, coisas pelas quais eu tenho lutado, sentimentos de amor, amor pleno, pela vida, pela grandeza de estar vivo, pela beleza dos gestos de amizade, pelo poder do ser humano, pelo mundo e todo universo. Pensei em Deus, Existe algo maior que nos rege. A força do amor não é em vão. Meu peito transborda desse amor. E então resolvi andar um pouco mais, sem contar as horas. Comecei a olhar para cada rosto a minha volta, gente sorrindo, gente sofrida, gente calada, gente fingida. Eu comecei a tentar adivinhar a história de cada rosto.
Hallelujah...
O mundo precisa de anjos por toda parte, pensei. E às vezes olhando para aqueles rostos, eu gostaria de ser um anjo naquele momento. Era fácil ver a história da vida de cada um desenhada em cada expressão dos seus rostos, alguns sorriam, mas o que me chamava atenção era o olhar perdido, triste, cansado. Rostos desesperados tentando sorrir, fingir talvez. Fui passando por cada um, quase invisível, e aos poucos chorando, aos poucos sangrando...Porque eu sou tão mortal quanto eles. Então olhei para o céu estrelado e distante, gritei em silêncio Hallelujah, quem sabe algum anjo me ouve. E foi assim em uma noite de outono que eu percebi que, não sou pior nem melhor que ninguém, apenas que eu tenho sonhos de um mundo melhor, que Deus existe, e que o amor é a força que me rege. Essa é minha vida e eu tenho orgulho de mim.
Nesse momento o mundo pesava em minha mochila, sentei-me ali, descansei no chão, como as flores amarelas e as folhas secas caídas, porque eu também estava caindo, esperando uma outra estação.